sábado, 29 de dezembro de 2012

Noite.

A Noite, temo, guarda-me rancor. Distende-se em gritos e dores certas vezes em que durmo. Ouço-a a lamentar-se contra o vidro, sacudindo-me as persianas, disfarçada de vento.
À luz da Noite tudo fica claro. O Sol cega em demasia. É no sobranceiro reflexo de um candeeiro mornamente aceso que encontramos as respostas. O Amor debaixo das estrelas, o Ódio por entre as labaredas de uma fogueira, uma teia de aranha vísivel sob o luar. Todos os meandros, cruzamentos e decisões despidos no silêncio da cidade.

E Ela contorce-se e uiva por mim, como se o dia fosse um mero interlúdio da vida. Pede-me para ficar, para chegar-me mais perto. Sussurra-me horrores e promete-me prazeres. Os vidros tremem de surdos e eu agito-me na cama inquieta. Se ao menos uma Noite fosse nossa...