quarta-feira, 27 de maio de 2009

Pequena Frustração.

Já tentei achar o amor no fundo de um lago, ler cartas românticas nas nuvens e apaixonar-me pelo som da chuva. Tentei de tudo. Perceber uma alma num olhar sentido, foram tantas as que já percebi, as que tentei amar e não consegui, talvez por conhecê-las demais ou por achar que demais as conheci. Tentei de tudo e perdi. Desenhar os corpos com as minhas mãos, provar os lábios e os sorrisos, escrever textos inebriados, deixar bilhetes rabiscados. Tentei de tudo. Já corri pelas ruas atrás da paixão, já tropecei no sexo e na saliva e já caí em mais camas do que as que recordo. Parece que nasci apenas para cismar com o Amor e não para vivê-lo.

Vago.

Há sempre aquele tempo vago que tememos preencher, que escolhemos guardar e ficar a ver morrer. Aquela hora em que nos encolhemos e apertamos os dedos com força contra as palmas das mãos, não vão eles querer escrever. Consigo ficar semanas acorrentado ao meu próprio silêncio, às palavras sufocadas no interior do peito. Depois quebram-se as algemas e a caneta fica mais perto da folha abandonada.

Apenas um anúncio do meu regresso.