quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Noites Curtas.

Os dias enfraquecem-me e o crepúsculo leva-me a força com o último suspiro de Sol. A sonegação vespertina. Mergulho na Noite de figura frágil, como um animal ferido que afoga os gritos num charco, rastejo-me até à Noite exausto. E na exaustão os sentimentos atropelam-se, os pensamentos enlaçam-se e os textos surgem diluídos e espalhados pelo quarto como a água sangrenta com que lavo o corpo nocturno. Os relógios adiantam-se e as ampulhetas escorrem depressa demais os minutos em que me escondo do mundo e recobro a escassa sanidade que persiste em mim. As Noites são-me cada vez mais curtas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Renascimento.

Reaprendo as regras, conjugo letras devagar, penso duas vezes nas frases, desentorpeço os músculos das mãos, ordeno ideias, desenho parágrafos, rasuro adjectivos, exagero vírgulas e evito pontos. Pensar é bem mais fácil.

Regresso Na Sombra da Noite.

O tempo cai sobre o dia como um dilúvio negro. O céu queda-se mal aceso por detrás dos prédios e escurecido acima da minha cabeça. A Noite chega pela calada enquanto me fascino com o nada.
Despeguei-me das folhas e das canetas pois aterra-me a ideia de deixar provas evidentes daquilo que escrevo, de que realmente existo para além da sombra que vejo no espelho. As teclas, essas, caíram na dormência de um computador avariado pela vida e pela revolução eléctrica das coisas neste palácio rachado que governo. E eis que a contorção reanima os meus dedos como aberrações de bruxedo, como um inevitável assomo de vida num corpo lânguido. Se apenas os meus dedos tivessem visto o que eu vi... se escrevessem sozinhos o que me cansa escrever... se ao menos as saudades não apertassem tanto. Passou mais de um mês, passaram mais de mil histórias.